"Marcos, Marcos. São Marcos!"
Era 2002. Eu tinha 09 anos. Apenas 09. Como a maioria dos moleques nascidos nestas terras, o futebol era minha paixão de vida (por felicidade, continua a ser). Tínhamos na época uma seleção com duas grandes referências técnicas, Ronaldo e Rivaldo e um time de jogadores de entrega absurda e raça imensurável.
Muitos lembram do Cafú dedicando a taça à Regina. Ou das Bombas de Roberto Carlos. O Gaúcho, que ainda não o Mágico dos tempos de Barcelona encobrindo o Seaman naquele gol de falta do meio da rua. Por bem desta época meus olhares estavam direcionados para o outro lado do campo. Obviamente vibrei muito com aquela largada do Kahn no pé do Fenômeno. Mas o que fazia bater mais forte esse coração eram as defesas de Marcos. São Marcos.
Nesta época, eu já era Corinthiano. Do tipo moleque fanático. Recitava times do Corinthians que não tinha visto e falava de craques que já há muito estavam aposentados (até enterrados). Graças ao conhecimento técnico do meu mentor na arte alvinegra, eu me sentia um veterano. Porém, aquele careca (ou quase) não era do Corinthians. Pior, era do Palmeiras.
Numa época em que o Futebol Brasileiro tinha outra característica, Marcos era um exemplo. Esteve na Sala do Diretor do Arsenal que lhe ofereceu uma grana alta para fechar com o esquadrão inglês. Marcos não aceitou. Voltou ao Brasil, ao seu Palmeiras, pra jogar a Série B. Exato, a B.
São Marcos se despede do Futebol Brasileiro. As lesões o impedem de continuar rendendo em alto nível. E nesta data simbólica eu me recordo daquela Copa, a primeira da qual tenho vívidas lembranças, e do quanto eu vibrava a cada defesa daquele goleiro milagroso. Ali não existia rivalidade, não existia clubismo. Existia amor e paixão pelo nosso país, que ele fazia questão de defender com forte maestria.
Marcos foi boleiro. Foi da Resenha. Idolatrado pelos palmeirense a ponto de ser considerado por alguns o maior da história palestrina (um time que tem Ademir da Guia como ídolo). E admirado por todos os demais torcedores dos clubes brasileiros. Diferente de Rogério Ceni, que sempre foi um mala, Marcão era figurassa. Seja com as piadas, com as histórias, ou engrossando o tom quando era necessário.
Adeus São Marcos. Foi um prazer ser seu torcedor, seu rival, mas acima de tudo, um grande admirador.