Lições da Vida

Aprendi que a vida é simples e bela. Que os sorrisos que geramos são muito mais importantes que os sofrimentos que passamos. Que Anjos estão sempre em nossa vida, e que não podemos permitir que a cegueira cotidiana nos impeça de reconhecê-los.

Aprendi que amar os amigos genuinamente nos torna mais fortes na dor. Aprendi que sonhando em conjunto se realiza muito mais. Descobri no sorriso das crianças motivos para seguir sempre em frente. Dentro dos abraços sinceros, descobri portos seguros para voltar sempre que necessário.

Descobri que chorar nos faz fortes e sinceros. Que as lágrimas que brotam da alma são as melhores provas de que ainda estamos vivos. Descobri que falar eu te amo é tão bom!

Vi que os loucos que acreditam em um mundo melhor realmente fazem um mundo melhor. Que pessoas normais são sem graça. Que pessoas perfeitas não existem, e que se existissem seriam as mais chatas do Universo.

Descobri que a fé que nos mantém vivos, independente de qual seja, é válida. Descobri que Deus se esconde no sol, nas gotas de chuva, nas flores, no cachorro.

Descobri que um celular novo e uma caminhada na chuva ao lado de quem se gosta tem valores opostos. Que os bens materiais se perdem, mas as amizades se fortalecem.

Descobri por fim, que a vida é uma poesia de amor e ódio, de alegria e tristeza, de perdão e rancor, de sorrisos e lágrimas, de ganhos e perdas. Nos resta saber qual lado escolhemos.

Mataram Nossa Esperança

Dois meses se passaram. Foram 60 dias de um sentimento de união futebolística jamais compartilhado nesse país. Torcedores rivais se abraçaram por uma só causa.

A vida é uma grande mestra. Porém não supera a morte. As 71 vítimas do acidente aéreo nos mostraram a brevidade da vida e como um segundo pode destruir os sonhos de uma vida.

Durante dois meses acreditamos em uma nova era no Futebol Brasileiro. Acreditamos em unir pessoas, em unir sentimentos. Acreditamos ser possível renascer das cinzas a raça que nos fez penta, a entrega que nos fez tetra, o brilhantismo que nos fez tri, o drible que nos fez bi e a genialidade que nos fez Campeões do Mundo.

Choramos muito. A cada matéria, a cada homenagem, a cada reportagem. Choramos com a mãe do Danilo, com o Henzel, com o Fox Sports. Arrepiou-se nossa alma futebolística ver aquele gramado transformado em funeral.

Esperava-se que enterrando cada um daqueles mortos pudéssemos ver nascer um novo sentimento dentro de cada torcida.

Porém, após toda essa esperança os torcedores do Internacional vieram mostrar que nossas lágrimas foram em vão. Por ironia trágica, não esperaram sequer que se dissipasse o sentimento de luto. Ao lado das homenagens pela reconstrução do Verdão do Oeste, surgem as manchetes dos crimes dentro do estádio.

Os torcedores colorados não mataram ninguém dessa vez. O que morreu foi a esperança de que 71 caixões pudessem ser um alerta presente na mente de cada um de nós que torce por qualquer agremiação.

Não foi. E sente-se a tristeza de saber que nós ainda sofreremos mais vezes pelas perdas que estes vândalos causarão ao nosso futebol.