Prazer,
Já me chamaram de vagabundo, de moiado, de noiado. Vivo à margens, às espreitas, às sombras.
Perambulo pelas ruas, pelas praças, pelas marquises. Salvo o desprezo ao ignorarem meus pedidos por um trocado, ando como um fantasma, sem sequer que notem minha presença. Numa sociedade que busca esconder suas impurezas, sou o retrato cruel da miséria social, que todos fingem não perceber, por não objetarem em ajudar.
Há ainda os que retiram o pouco do que tenho. Queimam minhas roupas, molham minhas cobertas, roubam meus sapatos, espancam o meu corpo. Afinal, quem sou eu? Apenas mais um sem nome, sem rumo e sem esperança qualquer.
Outros tantos me encontram bêbado, drogado e optam por me criticar. Insistem que sou perigoso, que sou bandido. Nesse pré-conceito que estabelecem da minha classe, sofro preconceito calado, humilhado. Não tenho voz, tampouco, tenho vez.
Destruo a minha vida, pois talvez você não entenda aí no seu quarto quentinho, como seria não querer mais viver. Não tenho sonhos, não tenho metas, não tenho medos. A morte, que te assusta, flerta comigo a cada vez que fecho meus olhos em algum jornal ou papelão, pensando que talvez aquela seja a última dessas vezes e que ao partir desse mundo, talvez eu possa encontrar destino melhor.
Lavo um para-brisa, peço uma esmola, cuido de um carro. A cada moeda mais uma queda. Insisto em continuar nesse pesadelo que vivo acordado, ousando pedir a Deus que não esqueça deste filho afastado.
Esqueci de dizer quem sou eu afinal. Sou morador de rua. Ah, e sou ser humano, como você. Tente lembrar-se disso também.
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Depressão
As lágrimas rolam pela face,
O coração ferido já não insiste em lutar.
As emoções flutuam,
As certezas ruíram.
O certo virou errado, o avesso virou travesso.
Excesso de pressão?
Depressão!
Talvez não haja saída.
Não! Dizem que de toda regra há exceção.
E onde estaria a minha?
Terei eu também opção?
Ou não?
Anda-se de um lado pro outro,
O sono não vem, nunca vem.
A madrugada torna-se companheira desse pesadelo,
Que se vive acordado.
Acorrentado!
Preso as memórias,
O passado dói,
A mente remói.
No fim do túnel vê-se a luz,
Apenas não se distingue o que é.
Ao menos se tem esperança,
Neste caso particular,
Ter esperança é melhor que nada!
O coração ferido já não insiste em lutar.
As emoções flutuam,
As certezas ruíram.
O certo virou errado, o avesso virou travesso.
Excesso de pressão?
Depressão!
Talvez não haja saída.
Não! Dizem que de toda regra há exceção.
E onde estaria a minha?
Terei eu também opção?
Ou não?
Anda-se de um lado pro outro,
O sono não vem, nunca vem.
A madrugada torna-se companheira desse pesadelo,
Que se vive acordado.
Acorrentado!
Preso as memórias,
O passado dói,
A mente remói.
No fim do túnel vê-se a luz,
Apenas não se distingue o que é.
Ao menos se tem esperança,
Neste caso particular,
Ter esperança é melhor que nada!
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