A diretoria do Palmeiras resolveu prestar uma homenagem, justíssima, a um dos maiores que vi jogar, o mítico camisa 10 Alex. Para essa homenagem, resolveram montar o time dos "Amigos do Alex" contra o Palmeiras de 1999. Assistir a essa partida e não chorar de tristeza é difícil.
Pontuo aqui alguns motivos da minha tristeza. Primeiro, a péssima qualidade de todas as reportagens que li. Em algum momento no mundo, a crônica do futebol se perdeu e ficou um treco chato e técnico. Crônica tem que ter emoção, tem que ter a lágrima intrínseca do jornalista/cronista em cada palavra. Se quisesse matéria, lia o jornal. Foi tudo resumidinho, certinho, ajeitadinho. Faltou raça nas palavras. Segundo e mais fundamental, foi o jogo em si. Quantos times podem ter em suas fileiras num jogo de despedida: Paulo Nunes, Evair, Edmundo, da Guia, Marcão, Zinho, entre outros, poucos, pouquíssimos. Em se tratando dos últimos 20 anos então, pior ainda.
Foi uma festa. Pra quem jogou e pra quem assistiu. Lances como o calcanhar do Aristzábal, a patada do Alex na gaveta, aquele lançamento do Evair pro Edmundo. A tristeza desse momento foi pensar que em 80% dos times da Série A do Brasileirão, você não tem um meia e um atacante que executariam a mesma jogada com tamanha competência. Em qual time do Brasil hoje, você tem um camisa 10 da qualidade do Alex (mesmo com 40 anos). E pra finalizar, o maior saudosismo de todos, que atacante do Brasil hoje tem competência (soma-se técnica e coragem) de bater um Penalty de trivela. O A. da Guia meteu. Com classe, com qualidade, com 73 anos!
O futebol brasileiro morreu. Ou dormiu. Ou se mudou. Trouxeram este tal de futebol moderno, cheio de conceitos, de táticas e técnicas. Forma física, massa muscular, desgaste. Fisioterapeuta, fisiologista, preparador. Todos os supracitados são peças fundamentais, porém, em algum espaço tem de entrar a qualidade, o algo a mais, o diferente.
Perdemos nosso drible, nossa técnica, nossa ginga, nosso futebol. Num país que fez Garrincha, que fez Zico, não se pode acreditar que o talento tenha acabado. Cada vez mais se exige força, ao invés de cérebro. Não digo aqui para termos 11 "Sócrates" em campo, mas é preciso que pelo menos um em onze saiba quebrar uma defesa.
Assisti à despedida do Alex com tristeza. Não pela despedida de um ídolo, de um craque, de um diferenciado. Mas por pensar que daqui a 30 anos, na despedida de qualquer de nossos garotos, as estrelas da companhia serão quem? Vi Alex, vi Marcos, vi Edmundo Animal, vi Romário, vi Ronaldo, vi Marcelinho. E vejo cada vez menos. Até quando duraremos? Até quando as 05 Estrelas no peito serão ostentadas apenas em cores verde-amarela.
O futebol brasileiro se perdeu. Se transformou. Se brutamontalizou. Menos dados, mais almas. Menos estatísticas, mais bola. Menos físico, mais técnico. Menos Cocito's, mais Alex's. Antes que seja tarde demais, tragam nosso futebol de volta.
Parabéns Alex, pela carreira, pelo caráter. Você foi dos maiores. Pena não ter sido Alvinegro!