Dois meses se passaram. Foram 60 dias de um sentimento de união futebolística jamais compartilhado nesse país. Torcedores rivais se abraçaram por uma só causa.
A vida é uma grande mestra. Porém não supera a morte. As 71 vítimas do acidente aéreo nos mostraram a brevidade da vida e como um segundo pode destruir os sonhos de uma vida.
Durante dois meses acreditamos em uma nova era no Futebol Brasileiro. Acreditamos em unir pessoas, em unir sentimentos. Acreditamos ser possível renascer das cinzas a raça que nos fez penta, a entrega que nos fez tetra, o brilhantismo que nos fez tri, o drible que nos fez bi e a genialidade que nos fez Campeões do Mundo.
Choramos muito. A cada matéria, a cada homenagem, a cada reportagem. Choramos com a mãe do Danilo, com o Henzel, com o Fox Sports. Arrepiou-se nossa alma futebolística ver aquele gramado transformado em funeral.
Esperava-se que enterrando cada um daqueles mortos pudéssemos ver nascer um novo sentimento dentro de cada torcida.
Porém, após toda essa esperança os torcedores do Internacional vieram mostrar que nossas lágrimas foram em vão. Por ironia trágica, não esperaram sequer que se dissipasse o sentimento de luto. Ao lado das homenagens pela reconstrução do Verdão do Oeste, surgem as manchetes dos crimes dentro do estádio.
Os torcedores colorados não mataram ninguém dessa vez. O que morreu foi a esperança de que 71 caixões pudessem ser um alerta presente na mente de cada um de nós que torce por qualquer agremiação.
Não foi. E sente-se a tristeza de saber que nós ainda sofreremos mais vezes pelas perdas que estes vândalos causarão ao nosso futebol.